R$ 10 mil PJ presencial ou R$ 7 mil CLT em casa: a conta de 15 minutos que mostra qual dos dois paga mais

Homem fazendo contas e anotando numeros em papel sobre a mesa

Dê um Upgrade na sua vida.

Duas propostas na mesa. R$ 10 mil como PJ, presencial. R$ 7 mil como CLT, de casa.

A maioria olha os R$ 3 mil de diferença e responde em cinco segundos. Depois começam as letrinhas: contador, INSS, plano de saúde, almoço fora, transporte, férias que você paga para si mesmo.

Este texto não diz qual é melhor. Ele te dá a conta que falta, para você parar de escolher no escuro e chamar isso de oportunidade.

Primeiro, salário CLT não é salário

O número do contrato é menor do que o pacote. Existem três linhas que entram por lei e que ninguém soma antes de comparar.

O 13º salário. É um salário a mais por ano, ou seja, 8,33% em cima de cada mês.

O terço de férias. A cartilha oficial do eSocial registra 30 dias de férias remuneradas com 1/3 a mais que o salário normal. Esse adicional vale 2,78% do ano.

O FGTS. São 8% do salário depositados por mês pelo empregador, também confirmados no mesmo documento oficial. Dinheiro travado, mas dinheiro seu.

Soma: 8,33 mais 2,78 mais 8 dá aproximadamente 19% em cima do salário nominal.

Então os R$ 7 mil do contrato equivalem a mais ou menos R$ 8.330 por mês em pacote. Você não tinha somado isso. Quase ninguém soma.

Agora o que sai do PJ antes de chegar em você

Do lado PJ, os R$ 10 mil são faturamento, não renda. A diferença entre esses dois substantivos é onde o dinheiro desaparece.

Aposentadoria. Como PJ, o INSS é por sua conta. O próprio INSS informa que o contribuinte individual paga 20% sobre o salário de contribuição, entre o piso e o teto. Existe a alíquota reduzida de 11%, mas ela só vale sobre um salário mínimo, o que te aposenta no mínimo. Se você quer cobertura parecida com a de quem ganha R$ 7 mil, a conta é 20% sobre R$ 7 mil, ou seja, R$ 1.400 por mês.

Contador. Não invente valor, peça três orçamentos hoje e use o do meio. É a linha mais fácil de descobrir e a que mais gente esquece.

Imposto da empresa. Depende do seu anexo no Simples Nacional e do fator R. Não chute esse número e não aceite chute de recrutador. Pergunte ao contador na cotação: qual a alíquota efetiva para R$ 120 mil de faturamento anual no meu CNAE.

Plano de saúde. No CLT muitas vezes vem no pacote. No PJ você contrata. Cote o seu hoje, com a sua idade, e anote.

Férias e 13º. Ninguém deposita para você. Se você quer 30 dias parado e um mês extra no fim do ano, precisa guardar 11% do que entra. Se não guardar, você não tem folga: você tem intervalo sem salário.

Vista da cidade pela janela de um ônibus durante o deslocamento
Foto: Sergei / Unsplash

A linha que quase sempre decide: presencial

Presencial tem preço, e ele não aparece no contrato.

Faça a conta com os seus números. Vinte e dois dias úteis por mês. Transporte ida e volta mais almoço fora. Se der R$ 50 por dia somando os dois, são R$ 1.100 por mês.

Tem a segunda conta, a que dói mais: tempo. Uma hora e meia de deslocamento por dia são 33 horas por mês. Um mês inteiro de trabalho, todo ano, sem receber por ele.

Esse tempo não é neutro. Ele come treino, sono e refeição em casa, que são exatamente as três coisas que você diz que quer arrumar.

Rode a conta nos dois lados

CLT de R$ 7 mil, remoto. Salário nominal R$ 7.000, mais 19% de pacote, dá cerca de R$ 8.330 por mês. Sem custo de deslocamento, sem contador, com INSS descontado na fonte e com FGTS somando no fundo.

PJ de R$ 10 mil, presencial. Faturamento R$ 10.000. Tire R$ 1.400 de INSS em 20% sobre R$ 7 mil. Tire o contador e o imposto da empresa, com os números que você levantou hoje. Tire R$ 1.100 de transporte e almoço. Guarde R$ 1.100 de provisão de férias e 13º.

Se o imposto e o contador juntos ficarem em R$ 1.000, sobram R$ 5.400 líquidos com provisão feita. A proposta de R$ 10 mil ficou abaixo da de R$ 7 mil.

Troque os meus valores pelos seus e a conclusão pode virar. É esse o ponto. Não existe resposta genérica, existe planilha feita.

Três riscos que não entram em planilha

Ausência. Você fica cinco dias doente. No CLT, atestado. No PJ, cinco dias sem faturar. Considere isso como risco, não como azar.

Demissão. No CLT existe aviso, FGTS e seguro-desemprego. No PJ, o contrato pode acabar por mensagem numa sexta à noite.

Crédito. Financiamento, aluguel e cartão ainda olham comprovação de renda com carinho diferente para holerite e para extrato de pessoa jurídica.

Isso não faz o PJ ser ruim. PJ com três clientes e reserva de seis meses é liberdade. PJ com um cliente só é um CLT sem direito nenhum, e com nome bonito.

O erro que eu cometi

Eu troquei um contrato por outro que pagava 30% mais e aceitei no mesmo dia. Não fiz conta nenhuma.

Três meses depois eu estava ganhando mais e sobrando menos. O deslocamento comeu a diferença e mais um pedaço, e eu tinha perdido o treino da manhã, que era a única coisa da minha rotina que estava de pé.

O que me custou não foi a escolha. Foi escolher com um número na cabeça em vez de sete numa folha.

A sua ação de hoje

Abra uma planilha e monte duas colunas, CLT e PJ, com estas sete linhas: salário ou faturamento, 13º, terço de férias, FGTS, INSS, contador mais imposto, transporte mais almoço.

Preencha só o que você já sabe e deixe em branco o que falta. Depois mande uma mensagem hoje para um contador pedindo a alíquota efetiva e o valor da mensalidade.

Amanhã você compara duas colunas cheias. Não compare mais dois números soltos.

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