O bônus da conta de luz acabou e a energia subiu 7,42% em setembro: a conta de 10 minutos que mostra quanto isso tira do seu mês

Vários medidores de energia elétrica instalados lado a lado na parede

Dê um Upgrade na sua vida.

Em agosto a sua conta de luz caiu. Você sentiu, achou que o aperto tinha afrouxado e gastou aquele dinheiro em outra coisa.

Agora ela voltou. A energia elétrica residencial subiu 7,42% em setembro e foi o item de maior impacto individual na prévia da inflação, segundo o IPCA-15 divulgado pelo IBGE.

A queda de agosto não era melhora estrutural. Era um crédito do bônus de Itaipu, que empurrou a energia para baixo em 6,25% naquele mês e acabou.

É a diferença entre ter mais dinheiro e ter recebido um desconto temporário. Quem não separa as duas coisas gasta a segunda como se fosse a primeira.

Eu fiz exatamente isso em 2023 com uma restituição de imposto. Tratei um dinheiro de uma vez só como se fosse aumento e comprometi doze meses de prestação. Levei um ano para desfazer.

O quadro completo de setembro, sem enfeite

A prévia da inflação de setembro ficou em 0,70%. É a maior desde abril, quando deu 0,89%.

Em agosto o índice tinha sido negativo: menos 0,40%. Ou seja, o país saiu de deflação e voltou para alta em um mês.

No acumulado de 12 meses, o índice está em 4,47%.

Habitação subiu 2,07% e sozinha respondeu por 0,31 ponto percentual do resultado. Alimentação e bebidas subiu 0,40%, com impacto de 0,09 ponto.

Não é catástrofe. Mas é o fim de uma janela boa, e o seu orçamento ainda está calibrado para a janela boa.

Fileira de carrinhos de supermercado encaixados em um estacionamento
Foto: Donald Giannatti / Unsplash

O que subiu e o que caiu na sua compra

Na alimentação, os números do IBGE são bem distribuídos e dá para usar isso a seu favor.

Subiram: tomate 20,76%, arroz 2,39% e carnes 1,30%.

Caíram: feijão carioca menos 6,33%, cebola menos 4,41% e café moído menos 1,36%.

Isso não é curiosidade de jornal. É uma instrução de compra.

Se o tomate subiu um quinto do preço em um mês, troque o molho fresco por extrato ou por pelado enlatado por algumas semanas. Se o feijão caiu 6%, aumente a proporção de feijão e reduza a de carne no prato do dia a dia.

Você não precisa cortar proteína. Precisa mudar de onde ela vem quando o preço vira contra você.

Uma dica prática: feijão e arroz juntos fecham o perfil de aminoácidos. É a combinação mais barata do supermercado brasileiro e ela acabou de ficar ainda mais barata em relação à carne.

A conta de 10 minutos

Agora o trabalho. Dez minutos, celular na mão, e você para de operar no escuro.

Passo 1: pegue as suas três últimas contas de luz. Julho, agosto e setembro. Anote os três valores.

Passo 2: compare agosto com julho. A diferença é o tamanho do bônus que você recebeu e não percebeu.

Passo 3: pegue o valor de julho e some 7,42%. Numa conta de R$ 220, são cerca de R$ 16 a mais. Numa de R$ 400, cerca de R$ 30.

Esse é o seu novo piso mensal, não o valor de agosto.

Passo 4: multiplique a diferença por 12. Aquele R$ 30 vira R$ 360 no ano. É esse o buraco que você precisa cobrir, e ele não vai aparecer sozinho no extrato.

Onde tirar esse dinheiro sem se enganar

A reação automática é “vou economizar”. Economizar não é plano. Plano tem número e prazo.

O chuveiro elétrico é o maior consumidor individual da casa brasileira. Cortar dois minutos do banho, todo dia, pelos 30 dias do mês, é o ajuste com melhor relação entre esforço e resultado que existe aqui.

Segundo alvo: aparelho em espera. Videogame, receptor de TV, caixa de som, carregador na tomada. Uma régua com interruptor desligada à noite resolve o que a boa intenção não resolve.

Terceiro alvo: geladeira com borracha ressecada. Feche a porta prendendo uma folha de papel. Se a folha sai puxando fácil, a borracha está vencida e o motor está trabalhando o dia inteiro por nada.

Nenhum desses três é glamouroso. Os três, juntos, costumam dar conta dos R$ 16 a R$ 30 a mais por mês. Que é exatamente o tamanho do problema.

A regra que vale além desta conta

Toda vez que uma despesa sua cair, descubra o motivo antes de comemorar.

Se caiu porque você mudou de hábito, é ganho e é seu. Se caiu porque veio bônus, crédito, promoção ou decisão de governo, é empréstimo de prazo indefinido.

Dinheiro de queda temporária não vira assinatura nova nem parcela nova. Vira reserva, ou vira abatimento de dívida.

Isso parece óbvio no papel e quase ninguém faz, porque o alívio vem antes da conta. E o alívio é convincente.

A sua ação de hoje

Abra o aplicativo da sua distribuidora de energia agora e anote os valores de julho, agosto e setembro.

Some 7,42% ao valor de julho e escreva esse número no bloco de notas do celular com o nome “piso da luz”.

Quando a próxima fatura chegar, você compara com esse número em vez de comparar com o mês do bônus. É a única forma de saber se você está gastando mais ou se o preço é que mudou.

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