Entre homens, o uso de vape é o dobro do das mulheres: 2,9% contra 1,4%, e o plano de 4 semanas para largar

Homem olhando pela janela para a cidade à noite

Dê um Upgrade na sua vida.

Cigarro eletrônico é assunto de homem jovem no Brasil, e os números do observatório do INCA sobre dispositivos eletrônicos para fumar mostram isso sem rodeio.

No Vigitel de 2023, o uso atual entre homens adultos foi de 2,9%. Entre mulheres, 1,4%. É o dobro.

E a concentração está na sua faixa. Entre pessoas de 18 a 24 anos, o uso atual foi de 6,1%, contra 2,1% da população adulta em geral.

Tem um número maior e mais incômodo: o Covitel registrou que o uso na vida entre jovens de 18 a 24 anos passou de 19,7% em 2022 para 23,9% em 2023.

Quase um em cada quatro já experimentou. Se você está lendo isso, provavelmente você é um deles ou senta ao lado de um.

O que os números dizem e o que eles não dizem

Primeiro, o tamanho real. Na Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, o uso atual na população com 15 anos ou mais era de 0,64%, cerca de 1 milhão de pessoas. Desses, 70% tinham entre 15 e 24 anos.

Não é uma epidemia que atinge todo mundo igual. É um comportamento concentrado em homem jovem, com mais anos de escolaridade, em cidade grande.

Segundo, o que o número não captura. Uso atual mede quem usou nos últimos 30 dias. Não mede o cara que puxa duas tragadas do pod do amigo no bar toda sexta e jura que não usa.

Se essa frase incomodou, ela era para você.

Homem caminhando sozinho por uma estrada vazia
Foto: Francisco Gonzalez / Unsplash

Por que pegou mais em homem jovem

Não foi acaso, e não foi falta de caráter. Foi desenho de produto.

O dispositivo não tem cheiro de cinzeiro, não deixa mancha no dedo e cabe no bolso da calça. Ele apagou os sinais sociais que faziam o cigarro comum ser constrangedor.

Some a isso que não existe maço, não existe contagem. Com cigarro você sabia que tinha fumado doze. Com pod você só sabe que a bateria acabou mais cedo essa semana.

É a mesma armadilha do aplicativo que não mostra o tempo de tela. Sem medida, não existe controle, e você acha que usa menos do que usa.

Faça a sua conta antes de qualquer decisão

Não vou te dizer quanto custa o seu, porque varia muito. Você vai calcular.

Pegue o extrato do cartão e do Pix dos últimos três meses. Marque toda compra de dispositivo, pod, refil ou essência. Some e divida por três.

Esse é o seu custo mensal. Multiplique por 12.

Depois faça a segunda conta, a que dói mais: divida o valor anual pelo seu salário por hora. Quantas horas do seu mês você trabalha só para bancar isso?

Não estou pedindo que você largue por causa do dinheiro. Estou pedindo que você pare de usar sem saber o preço. São coisas diferentes.

O tratamento é de graça e quase ninguém procura

Essa é a informação que mais some no meio do debate sobre vape.

O SUS oferece tratamento gratuito para dependência de nicotina. Segundo o INCA, o programa inclui avaliação clínica e abordagem individual ou em grupo, além de medicamentos: terapia de reposição de nicotina em adesivo e goma, e cloridrato de bupropiona.

O próprio INCA deixa claro que remédio sozinho não resolve, e que ele funciona associado à abordagem. Ou seja: não adianta pedir adesivo e continuar na mesma rotina, com as mesmas pessoas, nos mesmos horários.

Para achar onde tem, o caminho é a unidade básica de saúde do seu bairro ou a coordenação de controle do tabagismo da secretaria municipal.

Leva uma manhã. Custa zero. E é a diferença entre tentar na força de vontade e tentar com apoio clínico.

O plano de 4 semanas

Quatro semanas não é promessa de cura. É o prazo realista para sair do piloto automático e ter dados sobre você mesmo.

Semana 1: medir, sem cortar nada. Anote no bloco de notas do celular toda vez que usar, com hora e o motivo em uma palavra: tédio, ansiedade, bar, café, trabalho. Nada mais. Só isso já reduz o uso, porque quebra o automático.

Semana 2: cortar os dois gatilhos mais frequentes. Olhe a lista da semana 1 e identifique os dois contextos que mais aparecem. Nesses dois, você não usa. Nos outros, continua normal. Uma regra pequena que você cumpre vale mais que uma regra grande que você quebra na terça.

Semana 3: marcar a data e buscar apoio. Escolha um dia da semana 4 para parar. Antes disso, vá à unidade de saúde e pergunte sobre o programa de tabagismo. Avise duas pessoas próximas. Retire o dispositivo do carro e da mochila.

Semana 4: parar e substituir. Todo gatilho precisa de troca, não só de proibição. Caminhada de cinco minutos, água, ligar para alguém, sair da mesa. O objetivo não é resistir parado. É ter outra coisa para fazer com as mãos e com os minutos.

Vale dizer o que é verdade: muita gente recai. Recaída não apaga as quatro semanas. Ela te dá a informação de qual gatilho ainda está aberto, e você volta para a semana 2 com esse alvo.

A ação de hoje

Abra o bloco de notas do celular e crie uma nota chamada “uso”. Toda vez que usar hoje, anote a hora e uma palavra para o motivo.

Só hoje, só isso. Amanhã você olha a lista e já sabe mais sobre o seu hábito do que soube nos últimos dois anos.

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