Teto do MEI vai de R$ 6.750 para R$ 9.166 por mês em 2027: a conta que você faz hoje

Homem trabalhando em uma bancada de marcenaria

Dê um Upgrade na sua vida.

O teto do MEI está travado em R$ 81 mil por ano há tempo demais. Isso dá R$ 6.750 por mês de faturamento, não de lucro.

Isso vai mudar. Segundo o portal oficial do governo sobre o novo teto do MEI, o limite passa para R$ 110 mil em 2027 e para R$ 140 mil em 2028.

Em dinheiro por mês: de R$ 6.750 para R$ 9.166 e depois para R$ 11.666.

São R$ 29 mil a mais por ano já em 2027. E o número de empregados registrados dobrou: de um para até dois simultâneos.

Quem trata isso como notícia de jornal perde. Quem trata como prazo, se organiza nos meses que faltam.

Os números, ano a ano

Hoje: R$ 81 mil por ano, R$ 6.750 por mês, um empregado.

2027: R$ 110 mil por ano, R$ 9.166 por mês, até dois empregados.

2028: R$ 140 mil por ano, R$ 11.666 por mês.

O salto de 2026 para 2027 é de 35,8%. De hoje até 2028, o teto cresce 72,8%.

Deixe uma coisa clara na sua cabeça antes de comemorar: isso é faturamento bruto. É tudo que entra, antes de material, ferramenta, combustível, imposto e seu próprio salário.

Um prestador de serviço que fatura R$ 9 mil e gasta R$ 3 mil para trabalhar leva R$ 6 mil. Um revendedor que fatura os mesmos R$ 9 mil e paga R$ 6 mil de mercadoria leva R$ 3 mil. O teto é igual. A vida não é.

Barbeiro cortando o cabelo de um cliente na barbearia
Foto: John Karlo Mendoza / Unsplash

O segundo funcionário muda mais que o teto

A parte que ninguém comentou é a dos dois empregados registrados ao mesmo tempo.

Com um funcionário só, você continua sendo o gargalo. Ele te ajuda, mas se você tirar uma semana, a operação para.

Com dois, aparece a primeira chance real de montar turno, cobrir férias e testar se o negócio anda sem você na sala. Essa é a diferença entre ter um negócio e ter um emprego que você mesmo criou.

Só que contratar não é de graça, e o guia aqui é realismo. Um funcionário registrado no salário mínimo custa bem mais que o salário: tem FGTS, férias com um terço, décimo terceiro e o tempo que você gasta gerindo a pessoa.

Se hoje você não consegue pagar um com folga, dois é conversa para 2028, não para janeiro.

A armadilha dos 20%

Essa é a parte que derruba MEI todo ano, e quase ninguém lê antes.

Se você estourar o limite em até 20%, segundo o Portal do Empreendedor, você continua MEI naquele ano, paga a diferença de tributo sem multa pela DASN-SIMEI e sai do regime a partir de 1º de janeiro do ano seguinte.

Se estourar mais de 20%, o desenquadramento é retroativo a 1º de janeiro do próprio ano do excesso. Você passa o ano inteiro achando que é MEI e descobre no ano seguinte que devia ter recolhido como Simples Nacional desde janeiro.

Com o teto atual, esses 20% são R$ 16.200. A tolerância vai até R$ 97.200 de faturamento.

Passou disso, a conta volta com juros e com contador. É o tipo de erro que custa mais que o lucro do trimestre.

O que fazer nos meses que faltam

Faltam poucos meses para virar o ano. Use esse tempo para três coisas, nessa ordem.

Primeira: saiba exatamente quanto você faturou em 2026. Não é estimativa. É soma de nota, recibo e Pix recebido, mês a mês. Se você não tem esse número hoje, esse é o seu verdadeiro problema, e não o teto.

Segunda: separe as contas. Conta de pessoa física para a sua vida, conta de pessoa jurídica para o negócio. Enquanto o dinheiro do cliente cai na mesma conta do supermercado, você não sabe se ganha ou perde.

Terceira: calcule seu custo por hora. Pegue o que sobrou no mês e divida pelas horas que você trabalhou de verdade, incluindo orçamento, deslocamento e cobrança. Muita gente que fatura perto do teto descobre aqui que ganha menos por hora do que o funcionário que quer contratar.

Quando não vale ficar no MEI

O teto maior é bom, mas nem sempre MEI é o melhor lugar.

Se o seu negócio é de revenda com margem baixa, o faturamento sobe rápido e o lucro não acompanha. Você bate o teto sem ter ganhado dinheiro.

Se o seu cliente é empresa grande, muitas exigem porte maior para contratar, e o MEI vira barreira comercial.

E se você precisa de crédito para capital de giro, o limite de faturamento declarado pesa na análise do banco.

Nenhum desses casos se resolve com opinião de internet. Se qualquer um deles é você, uma hora paga com contador antes de dezembro sai mais barato que o desenquadramento retroativo.

A ação de hoje

Abra uma planilha e preencha uma linha por mês de 2026 com o que entrou no seu CNPJ. Só isso, doze linhas.

No fim você vai ter um número: quanto falta para o seu teto atual. Sem esse número, todo o resto é chute.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *