De 1,28 milhão de vagas criadas em 2025, só 1,9% pediam diploma: escolha o setor antes de escolher o curso

Homem operando maquina industrial dentro de uma fabrica

Dê um Upgrade na sua vida.

Você provavelmente escolheu o curso primeiro.

Olhou a grade, olhou a mensalidade, olhou o que a família ia achar. E quase ninguém, nessa hora, olha o setor que vai contratar depois.

Os números de 2025 mostram que a ordem estava invertida.

1,9%. Esse é o número

Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, assinado pelas pesquisadoras Janaína Feijó e Helena Zahar, olhou as vagas formais criadas no Brasil em 2025.

Foram 1.279.448 vagas criadas no ano, e apenas 24.513 delas eram para ensino superior completo. Isso é 1,9%.

De cada 100 vagas formais abertas no país em 2025, duas pediam diploma.

E tem a parte que quase não circulou: três setores grandes cortaram posto de nível superior no mesmo ano.

Indústria: 13.686 vagas a menos. Comércio: 12.432 a menos. Construção: 8.179 a menos. Somando, 34.297 postos de ensino superior que existiam e deixaram de existir.

Enquanto isso, um setor absorveu 58.300 trabalhadores com ensino superior: serviços.

O que esse número diz e o que ele não diz

Ele não diz que diploma não serve. Diploma continua sendo filtro em concurso, em conselho de classe, em promoção interna e em qualquer carreira regulamentada.

O que ele diz é outra coisa: o diploma deixou de ser o que abre a porta de entrada. Ele virou pré-requisito de uma parte pequena e específica do mercado.

Repare na direção do movimento. Não é o país que parou de contratar gente formada. É que a contratação de gente formada migrou de setor.

Quem está dentro da indústria, do comércio ou da construção com diploma na mão está numa faixa que encolheu em 2025. Quem está em serviços está na faixa que cresceu.

Isso é informação acionável. Curso você leva anos para trocar. Setor você troca em meses.

Eu escolhi curso e ignorei setor

Quando eu decidi o que estudar, meu critério foi o de quase todo mundo: o que eu gostava e o que parecia dar status.

Eu não perguntei uma única vez quem contrata isso, em qual setor, com qual salário de entrada, e se esse setor estava crescendo ou encolhendo.

Levei uns quatro anos para descobrir que eu tinha estudado a coisa certa para um lugar errado. Não foi curso perdido. Foi tempo perdido de contexto.

E a correção não exigiu um segundo diploma. Exigiu mudar de setor levando a mesma habilidade.

Mas deixa claro o custo: mudança de setor costuma vir com um passo lateral no salário antes do passo para cima. Se alguém te falar que é só subir, está mentindo.

Pessoa escrevendo com caneta em um caderno aberto sobre a mesa
Foto: lilartsy / Unsplash

O teste de 20 minutos

Faça hoje. Papel e caneta serve.

1. Escreva em qual setor você está. Não a sua função, o setor da empresa que assina sua carteira. Indústria, comércio, construção, serviços, agropecuária ou setor público. Muita gente erra aqui: analista de dados numa fábrica está na indústria, não em tecnologia.

2. Responda se esse setor está contratando ou cortando na sua faixa de escolaridade. Você não precisa adivinhar. Os dados do Caged são públicos e saem todo mês, e a imprensa econômica publica o saldo por setor.

3. Liste três habilidades suas que atravessam setor. Negociar, escrever bem, ler planilha, gerenciar projeto, atender cliente, operar ferramenta técnica. Só vale o que você consegue provar com um trabalho entregue.

4. Escreva uma frase. “Eu faço [habilidade] e isso resolve [problema] em [setor que está crescendo].” Se você não consegue completar essa frase, o seu problema não é diploma. É posicionamento.

Dois homens conversando sobre documentos em uma mesa de escritorio
Foto: Md Ishak Rahman / Unsplash

Três movimentos que valem mais que um segundo diploma

Mova o portfólio para a frente do currículo. Em vaga de serviços, o que fecha a conversa é trabalho entregue, não linha de formação. Junte três entregas suas num documento só, com o antes e o depois.

Converse com quem já está lá. Cinco conversas de vinte minutos com gente do setor que você quer entregam mais informação do que um semestre de curso. E custam zero.

Aprenda a ferramenta do setor, não o assunto do setor. Setor contrata quem opera o que ele usa todo dia. Assunto você aprende no trabalho.

Prazo realista para um deslocamento de setor com a mesma habilidade: de 6 a 12 meses, contando o tempo de conversa, de teste e de processo seletivo. Não é 30 dias.

O que não fazer com essa informação

Não tranque a faculdade por causa de um percentual. A conclusão é sobre para onde apontar, não sobre parar de estudar.

E não confunda 1,9% com falta de oportunidade. São 24.513 vagas de nível superior criadas em um ano. Elas existem, estão concentradas, e a maioria das pessoas está procurando no setor errado.

Dado serve para você mirar melhor, não para desistir mais rápido.

A ação de hoje

Escreva num papel o setor da empresa onde você trabalha hoje. Só o setor.

Depois escreva ao lado se ele criou ou cortou vaga na sua faixa de escolaridade no último ano. Se você não sabe, esse é o seu único dever de casa da semana: descobrir.

Trabalhar anos dentro de um setor sem saber se ele está crescendo é dirigir olhando só o volante.

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