Dê um Upgrade na sua vida.
Nesta sexta-feira, 9 de outubro, a conta gratuita do Gemini fica só com o Gemini 3.5 Flash-Lite.
Flash e Pro saem. Quem paga R$ 24,99 por mês no AI Plus também perde o acesso ao Pro e fica com Flash-Lite e Flash. O Pro passa a morar no AI Pro, de R$ 96,99 por mês. O Ultra começa em R$ 779,90.
Os números são da reportagem do Canaltech, que também explica que a mudança é progressiva e cada conta recebe um e-mail avisando.
Se você só usa o Gemini para perguntar bobagem, nada disso te atinge.
Se você usa para trabalhar, essa sexta-feira é uma conta que chegou.
O que exatamente para de funcionar
Flash-Lite é o modelo mais barato de rodar que o Google tem. Ele responde rápido e erra mais em tarefa longa.
Na prática, o que degrada primeiro é isto: texto com mais de duas páginas, planilha que exige cálculo encadeado, código com dependência entre arquivos, e qualquer coisa em que você pediu “leia esses três documentos e compare”.
O que continua aceitável: resumir um parágrafo, reescrever um e-mail, traduzir, listar ideias.
Olhe para a sua semana passada e veja em qual dos dois grupos caiu o seu uso. Essa é a resposta, não a nota do modelo.
O detalhe que quase ninguém leu: o limite virou gasto, não contagem
Antes você tinha um número de perguntas por dia. Agora o limite é calculado por consumo de processamento.
Pesa a complexidade do comando, o tamanho da conversa e o recurso que você aciona: modelo Pro, pesquisa profunda, geração de imagem, vídeo ou música. A cota renova a cada cinco horas, dentro de um teto semanal. E vão existir três níveis de esforço de raciocínio, do baixo ao alto, com o nível alto gastando mais rápido.
Traduzindo para a sua terça-feira: a mesma pergunta, feita dentro de uma conversa de 40 mensagens, custa mais do que feita numa conversa nova.
Abra uma conversa nova para cada tarefa. Não é superstição, é o jeito que a conta é fechada.
O problema não é o Google
Eu já fiz essa burrice e vou contar.
Em 2024 eu montei um processo de atendimento em cima da camada gratuita de uma ferramenta. Funcionou cinco meses. Num dia de terça, o plano grátis caiu de 100 para 10 execuções por mês e o meu processo morreu no meio do expediente, com cliente esperando.
O prejuízo não foi a mensalidade que eu passei a pagar. Foi o dia e meio que eu perdi remontando tudo às pressas, e a explicação que eu tive que dar.
Camada gratuita não é contrato. É marketing com prazo que você não conhece.
Isso não quer dizer “pague por tudo”. Quer dizer: saiba o que da sua rotina está apoiado em algo que alguém pode desligar numa quinta-feira à noite.

A auditoria de 20 minutos
Pegue papel ou abra uma planilha. Três colunas.
Primeira coluna: tarefa. Liste só o que você fez com IA nos últimos sete dias, de verdade, não o que você planeja fazer. Normalmente são de três a seis itens, não vinte.
Segunda coluna: quanto tempo isso te economiza por semana. Chute em minutos e seja honesto. “Reescrever e-mail” raramente passa de 15 minutos por semana.
Terceira coluna: o que acontece se cair hoje. Três respostas possíveis apenas: eu faço na mão, eu troco de ferramenta, ou eu paro de entregar.
Agora olhe só para as linhas que terminam em “eu paro de entregar”.
Se não tem nenhuma, você não precisa assinar nada nesta semana. Se tem uma ou duas, você tem uma decisão de R$ 96,99 para tomar, e agora ela é uma conta e não um impulso.
Some os minutos dessas linhas, multiplique por quatro e você tem as horas que o mês inteiro vale. Se o total não passa de duas horas por mês, assinar o plano de R$ 96,99 é pagar R$ 48 pela hora de um trabalho que você faria em silêncio.
O plano B que custa zero
Ter alternativa não é ter conta em tudo. É ter uma segunda porta testada.
Separe 30 minutos no fim de semana e pegue a sua tarefa mais crítica, aquela da linha “eu paro de entregar”. Rode ela em dois lugares diferentes do que você usa hoje, com o mesmo comando e o mesmo material.
Anote três coisas: o resultado serviu, quanto tempo levou, e quanto custa se eu precisar disso todo dia.
Guarde esse comando num arquivo de texto no seu computador. É a parte mais barata e a que as pessoas esquecem: o que você perde quando a ferramenta muda não é a ferramenta, é o comando que você levou semanas ajustando.
Um arquivo chamado prompts.txt vale mais que três assinaturas.
Antes de assinar qualquer coisa, teste o teto
Se você decidir pagar, não assine na sexta no susto. Assine depois de medir.
Durante sete dias, trabalhe normalmente e anote toda vez que o modelo te avisar que a capacidade acabou ou te empurrar para um modelo menor. Anote a hora.
Se isso acontecer uma ou duas vezes na semana, você não tem problema de plano, tem problema de organização de conversa. Se acontecer todo dia, antes das 15h, aí a assinatura é a resposta certa e você tem o dado para provar.
Esse teste é o mesmo para qualquer serviço que te cobra por uso: meça antes de pagar, não depois de reclamar.
A sua ação de hoje
Faça a terceira coluna. Só ela.
Dez minutos, agora: liste o que você fez com IA nos últimos sete dias e escreva na frente de cada item “faço na mão”, “troco de ferramenta” ou “paro de entregar”.
Quem tem essa lista pronta antes de sexta-feira vai tratar o dia 9 como um aviso. Quem não tem vai tratar como um problema.
