Dê um Upgrade na sua vida.
O golpista do suporte remoto não rouba a sua senha. Ele faz você digitar.
Ele liga dizendo que é do banco. Pede pra você instalar um aplicativo para resolver uma pendência. Manda compartilhar a tela. E fica quieto, olhando, enquanto você digita.
Em outubro deste ano o Google começou a tirar esse campo da mesa. Literalmente: a senha para de aparecer na tela.
O que mudou no seu celular neste mês
O Google começou a distribuir em outubro de 2026 a ocultação de campos de login, senha e dados de pagamento quando a tela está sendo compartilhada. Inclui o CVV do cartão de crédito, segundo o Canaltech.
Vale no Google Chrome e no Android WebView, que é o navegador embutido dentro de outros aplicativos.
O requisito é Android 15 ou superior. Abaixo disso, nada muda no seu aparelho.
A distribuição é gradual. Não é um botão que aparece para você apertar. É um comportamento que passa a existir.
3 milhões de ligações que você nunca recebeu
A parte que já está rodando no Brasil é a verificação de ligação bancária. O sistema confere se a chamada partiu mesmo da instituição e pode encerrar a ligação quando a autenticação falha.
O número: mais de 3 milhões de chamadas falsas bloqueadas no Brasil desde junho de 2026, em operação com o Banco do Brasil e o Itaú Unibanco.
O alvo é o caller ID spoofing, a técnica que faz o número do banco aparecer no seu visor sem ser o banco do outro lado.
Repare na lógica. Dois bancos, um sistema operacional, três milhões de ligações barradas. Nenhuma delas dependeu de você lembrar de desconfiar.

Em dezembro chega a parte que fecha o outro buraco
O redirecionamento de chamadas é o truque silencioso. Um aplicativo malicioso configura o desvio e as ligações que o banco faz para você passam a cair em outro telefone.
O Google prevê para o início de dezembro o bloqueio desse redirecionamento feito em segundo plano, com alerta sobre códigos MMI, aquelas sequências com asterisco e cerquilha que configuram o desvio.
Começa em Pixel e modelos selecionados. Traduzindo com honestidade: provavelmente não no seu, não em dezembro.
A checagem de 12 minutos
Pare de ler e faça. São quatro passos.
Um. Abra Configurações, entre em Sobre o telefone e leia a versão do Android. Se estiver em 15 ou acima, a ocultação do campo de senha chega ou já chegou. Se estiver em 13 ou 14, vá em Atualização do sistema e veja se existe versão disponível para o seu modelo. Dois minutos.
Dois. Procure Proteção Avançada nas configurações de segurança. É o modo que liga de uma vez o pacote mais duro do Android. A análise de conversa com número desconhecido exige Pixel 6 ou superior, Galaxy S24 ou superior, Z Flip e Z Fold da sexta geração para frente, ou aparelho compatível com o Android AICore. Se o seu não está nessa lista, o resto do pacote continua valendo. Três minutos.
Três. Abra o aplicativo do seu banco e procure a opção de verificação de ligação. Banco do Brasil e Itaú são os dois que já operam isso com o Google. Se o seu banco não tem, a regra manual é uma só: você desliga e liga para o número impresso no cartão. Quatro minutos.
Quatro. Vá na lista de aplicativos com permissão de Acessibilidade e com permissão de sobrepor outros aplicativos. Tire tudo que você não reconhece pelo nome. Três minutos.
O alerta não é novo, e isso diz muita coisa
Em novembro de 2025 o Google e o Itaú já testavam um aviso que aparecia quando o usuário abria o aplicativo do banco durante compartilhamento de tela com alguém fora da lista de contatos, com um botão para encerrar a chamada na hora, conforme o Olhar Digital. Funcionava do Android 11 para cima.
Um ano depois a abordagem mudou de aviso para remoção. Em vez de te avisar, apagam o campo.
Essa é a diferença entre proteção que depende de uma decisão sua no pior momento possível e proteção que não depende de você.
As duas coisas que continuam sendo suas
Primeira: compartilhamento de tela com desconhecido é zero. Não existe atendimento legítimo que precise ver a sua tela. Nenhum banco, nenhuma operadora, nenhum suporte técnico.
Segunda: ligação recebida nunca é canal de autenticação. Se alguém ligou para você, você desliga e liga de volta pelo número do cartão ou pelo aplicativo. Sempre. Mesmo que o nome do banco apareça no visor, porque é exatamente isso que o spoofing faz.
O Google gastou um ano de engenharia para reduzir o seu papel nisso. Ele não zerou.
O erro que eu cometi e levei quatro meses para ver
Eu deixei um aplicativo de otimização de bateria com permissão de Acessibilidade ligada por quatro meses. Baixei, testei, apaguei o atalho da tela e nunca revoguei a permissão. Ela ficou lá.
Não me custou dinheiro. Custou quatro meses de uma porta aberta que eu não sabia que estava aberta.
Permissão de Acessibilidade é o nível mais alto que um aplicativo pede no Android. Ela deixa o aplicativo ler o que está na tela e simular o seu toque. É por isso que ela é o pedido padrão do golpe de suporte remoto, e não a senha.
A ação de hoje
Abra Configurações, entre em Acessibilidade e revogue a permissão de todo aplicativo que não seja leitor de tela ou teclado.
Leva três minutos e fecha, com a sua mão, a porta que o resto desta matéria está tentando fechar por você.
