Dormir 5 horas por uma semana derruba sua testosterona de 10% a 15%

Homem dormindo em um quarto escuro

Dê um Upgrade na sua vida.

Você treina, come razoavelmente bem e mesmo assim está sem força, sem vontade e sem paciência.

Antes de comprar suplemento, olhe para quantas horas você dorme. É provável que o problema esteja ali.

Eu dormi cinco horas por noite durante quase dois anos achando que era disciplina. Não era. Era um buraco que eu cavava toda noite e tentava tapar com café de manhã.

O que aconteceu com dez homens de 24 anos em Chicago

Pesquisadores da Universidade de Chicago pegaram dez homens jovens e saudáveis, média de 24 anos. Três noites dormindo até dez horas. Depois, oito noites com menos de cinco horas.

Uma semana de sono restrito derrubou a testosterona diurna deles de 10% a 15%.

Para dar escala: os autores compararam essa queda ao efeito de envelhecer de dez a quinze anos. Em uma semana.

Fonte: UChicago Medicine, estudo publicado no JAMA em junho de 2011.

Seja honesto com o tamanho do estudo: dez pessoas, uma semana. É pequeno. Não serve para você concluir nada sobre a sua taxa hormonal específica.

Serve para mostrar a direção e a velocidade. O corpo responde rápido à falta de sono, e responde para baixo.

Por que isso aparece no treino antes de aparecer no exame

Você não vai sentir “testosterona baixa”. Ninguém sente hormônio.

Você sente outra coisa: a série que era fácil ficou pesada, a vontade de ir some no fim da tarde, a recuperação entre treinos demora mais.

O estudo notou que os níveis mais baixos apareceram justamente entre 14h e 22h nos dias de sono restrito. Que é exatamente o horário em que a maioria dos homens treina.

Você chega na academia no seu pior momento do dia e culpa a sua força de vontade.

O sono também é quando o corpo faz a manutenção do treino. Você não cresce puxando ferro. Você cresce depois, dormindo, com o estímulo que criou lá.

Treinar pesado e dormir cinco horas é pagar o preço do estímulo e não retirar o resultado. Você faz a parte difícil e abre mão da parte de graça.

Não é preguiça: é dívida de sono acumulando

Uma noite ruim você compensa. Vinte noites ruins viram outra coisa.

Sono perdido não é reposto no sábado. Dormir doze horas no fim de semana melhora o humor e não devolve as semanas anteriores.

Isso não é fraqueza de caráter. É fisiologia. E é a parte mais fácil de consertar em toda a sua rotina, porque não exige dinheiro, academia nem disciplina heroica.

Tem outra coisa que ninguém te conta: você é péssimo juiz do seu próprio cansaço. Depois de duas ou três semanas dormindo pouco, você se acostuma com a sensação e acha que está normal.

Não está. O desempenho continua caindo mesmo quando a percepção estabiliza. Por isso a conta importa mais que o “eu me sinto bem”.

Se você dorme menos de seis horas de segunda a sexta, você tem esse problema. Independente de como você se sente.

Despertador sobre a mesa de cabeceira
Foto: Allen Y / Unsplash

Como recuperar 90 minutos por noite sem mudar de vida

Você não precisa dormir às 21h. Você precisa parar de perder tempo no funil da noite.

Faça a conta de ontem. Que horas você deitou e que horas você realmente apagou? A diferença costuma ser de quarenta a noventa minutos de celular.

Ataque essa diferença primeiro. É a mais barata.

Defina um horário de fim de tela e deixe o celular carregando fora do quarto. Se você usa como despertador, compre um despertador de vinte reais. É o melhor equipamento de treino que você vai comprar este ano.

Não tente cortar noventa minutos de uma vez. Comece com trinta e segure duas semanas.

Corte grande demais dura três dias e volta ao normal. Corte pequeno demais não muda nada. Trinta minutos é o ponto em que dá para manter e já dá para sentir.

E o modo noturno da tela não resolve. O problema não é só a luz azul, é o conteúdo. Vídeo curto e rolagem infinita mantêm você em estado de alerta.

Os três ajustes que valem mais que qualquer suplemento

Primeiro: horário fixo para acordar, inclusive sábado e domingo. Variação máxima de uma hora. O horário de acordar ancora o de dormir, não o contrário.

Segundo: cafeína até seis horas antes de deitar. Se você apaga às 23h, o último café é às 17h. Aquele café das 20h que “não te afeta” está reduzindo seu sono profundo mesmo que você durma.

Terceiro: luz de manhã. Dez minutos de sol nos primeiros trinta minutos depois de acordar. Grátis, chato e funciona.

Nenhum desses três é novidade. Você já sabia. A questão é que você não fez.

Duas coisas que também atrapalham e quase ninguém liga com sono: álcool à noite e treino muito tarde.

Álcool te faz apagar mais rápido e piora a segunda metade da noite. Você dorme oito horas e acorda como se tivesse dormido cinco.

Treino pesado às 22h joga sua temperatura e sua adrenalina para cima na hora em que o corpo precisa desligar. Se é o único horário possível, tudo bem, mas espere mais tempo antes de deitar.

O prazo real: três semanas para sentir, três meses para medir

Não espere acordar transformado amanhã. Não vai acontecer.

Na primeira semana você vai deitar cedo e ficar acordado olhando o teto. Normal. O corpo leva de dez a quinze dias para mover o horário de sono.

Em três semanas você percebe no treino: mais carga na terceira série, menos vontade de pular o dia.

Em três meses, se quiser número, faça exame de sangue. Aí você mede em vez de achar.

E fique com o pé atrás com quem promete “dobrar sua testosterona naturalmente”. Sono não dobra nada. Sono devolve o que você estava perdendo.

A única ação de hoje

Hoje à noite, deixe o celular carregando na sala. Fora do quarto.

Uma noite. Amanhã você decide se repete.

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